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Cronologia
das atividades do GRADI monitorando ativistas
Segue abaixo
cronologia detalhanda das atividades do GRADI junto a ativistas
ligados ao movimento anti-capitalista.
09 de março de 2000:
O governo de São Paulo cria o GRADI, um grupo de inteligência
encarregado de investigar crimes de intolerância. Embora negue qualquer vínculo,
não parece ter sido por acaso que o GRADI foi lançado poucas semanas após
o assassinato do adestrador de cães Edson Neris por skinheads na Praça
da República. O GRADI é composto por coordenadores das polícias civil e
militar. Um desses coordenadores é o tenente-coronel Silvio Roberto
Villar Dias que, quando ainda era capitão, comandou uma das tropas no
evento que ficou conhecido como o “massacre do Carandiru”.
01 de maio de 2000: Ativistas fazem passeata na Avenida Paulista lembrando
o dia do trabalhador. Dezenas de jovens são presos. Um deles, indiciado
por desacato à autoridade, é interpelado, ainda na delegacia, por um
agente do GRADI que se apresentou como o policial Carlos Vasconcelos,
pedindo que se tornasse um informante. Segundo esse mesmo ativista, pelo
menos seis outros ativistas presos receberam propostas semelhantes.
Agosto de 2000: O agente Carlos Vasconcelos, acompanhado de outros dois
agentes, visita a casa do ativista que havia sido preso no 1o de maio. Ele
reitera o convite para que se torne informante e ameaça “foder o
processo” se ele não cooperasse.
26 de setembro de 2000: Ativistas fazem manifestação no Centro de São
Paulo em protesto contra a reunião do FMI e do Banco Mundial que
acontecia em Praga, na República Checa. O agente Vasconcelos, acompanhado
de outro agente está presente e acompanha a manifestação.
06 de abril de 2001: Ativistas fazem manifestação em protesto contra a
ALCA que estava sendo discutida em reunião dos ministros da economia em
Buenos Aires. A polícia reprime violentamente a manifestação alegando
que os ativistas se dirigiam para a praça da república para agredir
homessexuais. Um ativista é gravemente ferido no maxilar e é submetido a
duas cirurgias. Os ativistas desconfiam que a confusão entre sua
reivindicação contra o bloco de livre comércio e uma postura
intolerante foi deliberadamente produzida pelo GRADI para colocar o
movimento anti-capitalista sob a sua alçada.
20 de abril de 2001: Ativistas fazem nova manifestação na Avenida
Paulista em protesto contra a ALCA que estava sendo discutida agora em
reunião de cúpula em Québec. 69 ativistas são presos e 9 são
indiciados. Todos os indiciados são fotografados por agentes do GRADI
para, segundo o delegado de plantão, “compor um álbum dos crimes de
intolerância”. Em entrevista ao jornal “Esquinas de S. Paulo”, o
coordenador do GRADI, Dell'Oso Prado diz que as fotos foram tiradas com
autorização do delegado.
Outubro de 2001: O GRADI começa abertamente a atuar em outras áreas além
da repressão aos delitos de intolerância. A grande imprensa registra que
o GRADI participa da repressão ao crime organizado, investigando
sequestros e estourando centrais telefônicas do PCC.
25 de novembro de 2001: Ativistas fazem show para arrecadar fundos e
alimentos para o movimento sem-teto. O show do cartaz critica a política
externa israelense e mostra uma criança palestina morta cravada por uma
bandeira de Israel. Na sombra da bandeira israelense aparece a suástica
nazista. A Federação Israelita fica indignada com o cartaz e mobiliza o
GRADI. Dois agentes do GRADI aparecem à paisana e fotografam o rosto de
diversos ativistas presentes no show que contava com mais de 1000 pessoas.
Surpreendido pelos organizadores do evento, um dos agentes saca uma
pistola e aponta para a multidão. Ele mostra rapidamente uma identificação
de policial civil, dispara algumas vezes para o alto e foge. Em entrevista
ao “Esquinas de S. Paulo”, o delegado Dell'Oso nega a participação
do GRADI no evento.
05 de março de 2002: O GRADI ganha notoriedade ao fazer escutas telefônicas
que levam a polícia a interceptar um comboio de carros com integrantes do
PCC. A operação resulta em 12 mortes. Segundo o vice-prefeito Hélio
Bicudo, que produziu um relatório analisando a operação, há fortes indícios
de execução. Com a notoriedade advinda da participação na operação,
o GRADI ganha várias reportagens na grande imprensa. Em uma delas, na
rede Record, no programa Cidade Alerta, o narrador observa que o alvo
principal das investigações do GRADI são skinheads, torcidas
organizadas de futebol e ativistas.
01 de maio de 2002: Um ativista, ligado ao movimento anti-globalização,
teve sua casa em Taboão da Serra invadida por policiais sob o pretexto de
apurar uma denúncia anônima sobre ligação com o narcotráfico e
participação em grupos de guerrilha. Vários documentos políticos são
apreendidos e o ativista é obrigado a ter sua foto tirada. Ele teme que
sua foto seja encaminhada para o álbum de crimes de intolerância do
GRADI.
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